CLIMAPÉDIA

Aquecimento Global



Num planeta mais aquecido, há uma aceleração do ciclo hidrológico e, resultante disso, fenômenos climáticos e meteorológicos extremos como secas, inundações, tempestades severas, ventanias, incêndios florestais se tornam mais freqüentes. Um exemplo disso é o derretimento das geleiras continentais.

O Ártico está derretendo em algumas áreas, mudando a ecologia dos animais que dependem da superfície do gelo para viver e caçar, como os ursos polares. Há algumas evidências científicas de que as secas têm se tornado mais freqüentes nas últimas décadas e que o aquecimento global poderia ter parte da responsabilidade nisso, ou seja, não seria somente uma variação natural. Ainda é difícil dizer se os eventos climáticos extremos deflagradores de desastres naturais estão ocorrendo com mais freqüência; mas, várias projeções, a partir de modelos climáticos globais indicam que isto virá, gradualmente, a acontecer.

Países em desenvolvimento são, especialmente, vulneráveis aos extremos climáticos e meteorológicos. Tais eventos extremos provocam desastres naturais como deslizamentos em encostas, colapso de safras agrícolas de subsistência, poluição do ar, epidemias, entre outros. Aprender a conviver com a variabilidade natural do clima, incluindo seus extremos, é o primeiro passo para adaptar-se às mudanças climáticas e com um eventual aumento da ocorrência de fenômenos extremos. Isto pressupõe o entendimento dos fenômenos naturais como as secas do Nordeste do Brasil, e o desenvolvimento econômico e social, ambientalmente saudável. São questões difíceis de equacionar em países em desenvolvimento com grandes contrastes e desigualdades, como é o Brasil. Aumentar a resistência de sistemas sociais é a melhor estratégia para fazer frente aos fenômenos naturais extremos no país.

O aquecimento global é responsável pelo aumento da temperatura dos oceanos em meio grau nos últimos 60 anos, de acordo com a maioria dos cientistas, assim como, o aumento da temperatura sobre os continentes, que foi um pouco maior que 0,5 C.

Para evitarmos essas catástrofes existem duas escalas de tempo aqui envolvidas. Por um lado, fenômenos climáticos e meteorológicos extremos acontecem regularmente e fazem parte da variabilidade natural do planeta. Normalmente, nada mais são do que manifestações da atmosfera, em parceria com os oceanos, em busca do equilíbrio, já que algumas regiões recebem maior aquecimento solar do que outras. Nesta visão, estes fenômenos extremos são maneiras radicais da atmosfera tentar restabelecer o equilíbrio.

O que o aquecimento global faz é aumentar a freqüência de ocorrência destes fenômenos extremos. A escala de tempo, neste caso, é aquela que a moderna previsão de tempo permite a antecipação dos fenômenos, em uma semana. A resposta adequada deve ser a preparação para fazer frente ao desastre natural em formação. Porém, há outra escala de tempo mais preocupante. Tem a ver com as mudanças climáticas irreversíveis, com potencial catastrófico, como derretimento de geleiras na Groelândia ou Antártica Ocidental que elevariam o nível do mar em sete metros globalmente.

Talvez, a sociedade planetária tenha que agir resoluta e intensamente nas próximas três a cinco décadas para evitar grandes catástrofes.

Um primeiro passo para se evitar grandes catástrofes naturais é a redução rápida e brusca das emissões de todos os gases do efeito estufa, principalmente, o gás carbônico e o metano. O Protocolo de Quioto é outro passo importante nesta direção, mas o esforço terá que ser muito maior, isto é, para ficarmos no lado mais seguro e evitarmos riscos de mudar o clima do planeta de maneira perigosa. Globalmente, teríamos que reduzir as emissões em cerca de 60% em relação ao nível de emissões atual. Trata-se de uma tarefa árdua e que deve envolver todos os países e todos os habitantes do planeta.

A seca no centro e oeste da Amazônia nos últimos meses é efetivamente de grande intensidade. As causas precisas ainda não são conhecidas da ciência, mas podemos tecer algumas considerações especulativas. Provavelmente, esta prolongada e atípica estiagem esta ligada a um padrão de aquecimento das águas do Oceano Atlântico Tropical Norte, que vem ocorrendo há meses. Curiosamente, é nesta mesma região que os intensos furacões do Caribe dos últimos meses ganharam força, também em virtude das altas temperaturas das águas do oceano. Portanto, é um fenômeno de grande escala espacial, milhares de quilômetros. Regionalmente, nas áreas de floresta sob seca prolongada, as árvores têm dificuldade para manter suas, normalmente, altas taxas de transpiração e menos vapor d’água é reciclado na atmosfera, possivelmente contribuindo para uma redução das, normalmente, poucas chuvas locais durante a estação seca. Há alguns estudos recentes que indicam que a própria fumaça das queimadas pode ser um fator de inibição das chuvas durante a estação seca.

A seca, em especial na Amazônia, tem uma gravidade muito particular. A combinação sinérgica dos desmatamentos, do aquecimento global, dos aumentos da incidência de incêndios florestais e situações de secas intensas tornam a floresta mais vulnerável e podem levar à "savanização" de partes da floresta Amazônia, principalmente no centro-leste e na borda sul da região.

Nos últimos tempos, diariamente, tem acontecido grandes tragédias provocadas por fenômenos naturais. Esses fenômenos climáticos extremos fazem parte da natureza de nosso planeta e sempre aconteceram, com maior ou menor freqüência. Nos últimos 100 anos, a ação humana vem modificando a composição da atmosfera através da injeção de muitos gases que provocam o chamado efeito estufa na atmosfera e aquecem a superfície. Isto tem resultado no aquecimento da superfície, quase 1 grau centígrado nos últimos 100 anos. O principal fator que tem provocado essas catástrofes é a degradação ambiental, principalmente os desmatamentos das florestas.

Deve-se esclarecer que terremotos e tsunamis (causados por terremotos no fundo do mar, os maremotos) nada têm a ver com mudanças climáticas. Ocorrem devido a movimentos das placas tectônicas que formam a crosta terrestre. Vem ocorrendo há bilhões de anos e vão continuar a ocorrer. Em março de 2004, ocorreu o primeiro furacão de que se tem registro no Oceano Atlântico Sul. Ainda não sabemos se este raro fenômeno aconteceu como resposta ao aquecimento global, mas não podemos descartar tal possibilidade.

Para todos esse fenômenos climáticos o CPTEC desenvolve um trabalho que busca calcular, através de complexos modelos matemáticos do sistema climático global, quais os cenários mais prováveis de mudanças climáticas para o Brasil até o final do século. Tais informações deverão servir para que a sociedade brasileira se dê conta da gravidade da questão, o que impulsionará ações de governos para, por um lado, reduzir as emissões brasileiras de gases de efeito estufa e, por outro lado, buscarmos adaptarmos àquelas mudanças climáticas que inevitavelmente acontecerão.

Para o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), medidas do aquecimento global são baseadas em registros históricos de temperaturas nas estações meteorológicas no mundo, desde 1860. Entretanto, a Organização Mundial de Meteorologia (OMM), estabeleceu o período entre 1961-1990 como base, e sua média histórica é usada para calcular as variações de temperatura.

Outra forma de medir o aquecimento global é a reconstrução do clima existente no passado, baseando-se em análises de indicadores de clima, como o gelo, o pólen e esqueletos de animais fossilizados, os quais indicam uma maior concentração de CO2 na atmosfera nos períodos de temperaturas mais elevadas. Nesses casos, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/CPTEC) José Antônio Marengo explica que o aquecimento observado é baseado nas anomalias de temperatura mais elevadas e não somente na concentração de gases de efeito estufa, porém as duas maneiras têm uma associação muito forte entre si.

Marengo explicou ainda que, para se medir as taxas do aquecimento global, usa-se a variação de temperatura de um determinado período, além da variação da umidade do ar e de outras propriedades locais que possam interferir no resultado final. Essa operação é realizada desde o século XVIII.

Fonte: CNPq/CPTEC/INPE/Lívia Teixeira
Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org


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